Case apresentado por Cleomar Dias mostra como a transformação digital evoluiu da eliminação do papel para integração de sistemas, indicadores e apoio à tomada de decisão.
Brasília recebeu, no dia 8 de setembro, o BPM Day Brasília – Processos muito além dos fluxos, evento promovido pela ABPMP Brasil e realizado na Dataprev. A programação reuniu profissionais e especialistas para discutir gestão de processos, Inteligência Artificial, inovação, governança, automação, melhoria contínua e transformação digital.
Entre os cases apresentados esteve “Do Papel ao Processo Digital: a Jornada de Transformação do Conass”, conduzido por Cleomar Dias, Gestor de TI do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). A apresentação integrou a programação oficial ao lado de especialistas da ABPMP Brasil, ABPMP América Latina, Dataprev, Interact e outras organizações.
Uma transformação que começou com o papel
A apresentação mostrou uma trajetória iniciada em 2019, quando atividades administrativas ainda dependiam fortemente de documentos físicos, circulação de papéis, assinaturas presenciais e deslocamento da informação entre pessoas e setores.
A adoção da gestão digital de processos modificou progressivamente esse cenário. Mais do que reproduzir procedimentos existentes em ambiente eletrônico, a iniciativa permitiu repensar a forma como atividades, aprovações, documentos e informações circulam pela organização.
Um dos momentos que evidenciaram a importância dessa transformação ocorreu em 2020, com o início da pandemia de Covid-19 e a adoção do trabalho remoto.
Com os colaboradores impossibilitados de manter a rotina presencial, processos já digitalizados puderam continuar sendo executados remotamente, preservando aprovações, registros e rastreabilidade das atividades.
A tecnologia deixou, naquele momento, de representar apenas ganho de eficiência para assumir um papel importante na continuidade operacional.
BPM integrado aos sistemas corporativos
Outra etapa apresentada no evento foi a evolução da automação para a integração entre processos e sistemas corporativos.
No processo de Passagens e Diárias, por exemplo, informações tratadas pelo BPM podem seguir para integração com o ERP Protheus, reduzindo a necessidade de redigitação e conectando a execução do processo às rotinas administrativas e financeiras.
Essa abordagem acompanha uma tendência importante da gestão por processos: o BPM funcionando como camada de orquestração entre pessoas, regras de negócio, documentos e sistemas.
A documentação atual do Fusion Platform descreve justamente os processos como fluxos capazes de integrar dinamicamente pessoas, aplicações, documentos, equipamentos e sistemas. A Neomind também posiciona atualmente a plataforma como uma solução integrada para processos, documentos e indicadores.
A nova fronteira: dos fluxos aos indicadores
Um dos principais pontos apresentados no BPM Day foi a evolução que está ocorrendo agora.
Depois de digitalizar processos e integrar sistemas, surge uma nova pergunta:
O que podemos aprender com todos os dados produzidos durante a execução desses processos?
O objetivo deixa de ser somente saber “em que etapa está determinada solicitação”.
Passa a ser possível analisar volume, tempo, pendências, concentração, recorrência, custos e capacidade operacional.
É nesse contexto que dados provenientes dos processos começam a alimentar novos painéis e ferramentas gerenciais.
Um dos exemplos apresentados foi o Painel de Viagens, desenvolvido para consolidar informações sobre os deslocamentos de técnicos, consultores e demais colaboradores.
A partir dos dados operacionais, a gestão pode visualizar viagens em andamento, deslocamentos previstos, retornos, localidades, presença por estado e eventuais pendências.
Outros painéis seguem a mesma lógica, utilizando informações relacionadas a eventos, representações institucionais e demais processos para produzir uma visão operacional mais ampla.
O dado já estava no processo
A evolução apresentada no BPM Day pode ser resumida em uma sequência:
Papel → Processo Digital → Orquestração → Integração → Dados → Indicadores → Decisão.
O próximo passo da transformação digital não está necessariamente em criar mais informações.
Grande parte delas já é produzida diariamente pelas organizações durante a execução de seus próprios processos.
O desafio passa a ser estruturar, integrar e transformar esses dados em informação útil para gestão.
Como sintetizado durante a apresentação:
“O dado já existia dentro do processo. O que mudou foi a nossa capacidade de transformá-lo em informação para gestão.”
Essa evolução também dialoga diretamente com a proposta do BPM Day Brasília: discutir processos para além dos fluxogramas e compreender como pessoas, decisões, tecnologia, estratégia e execução podem funcionar de forma integrada.